terça-feira, 14 de outubro de 2014

Sobre nós, professores

Professores. Pensadores. Sofredores. Vivemos delícias e dores, sem perder a esperança na criança e, mesmo sem querer, vemos florescer muitos amores!

Essa semana celebramos a data oficial, o "Dia do Professor". Meu dia, nosso dia. Tenho certeza que temos muitas conquistas a comemorar. Muito riso, muita alegria, sucesso e glória dentro de uma sala, muitas vezes apertada e quente, ambiente quase inóspito, mas que nos faz sentir em casa: a sala de aula. E, nesse nosso habitat natural, vivemos de tudo um pouco. Tanto que, garanto, escreveríamos crônicas incríveis, se não fossem as intermináveis notas para passar, provas para planejar e corrigir e toda a burocracia que envolve nosso métier. Mas, ainda assim, lá estamos todas as manhãs ( ou tardes, ou noites, ou o tempo todo!), sorridentes a cumprir o que nos propomos ao assumir essa profissão, nosso desafio diário!

Do outro lado da moeda, estão todos os problemas que enfrentamos e que dificultam muito a realização satisfatória de nossos planejamentos: salas lotadas, alunos inquietos, sistema que nos barra, pais com dificuldade de entender nossa função, pais que vivem para bater de frente conosco, alunos mal educados, direção que não apoia, colegas que não dividem, salas totalmente desconfortáveis, currículo desatualizado e engessado...e não vou nem entrar no mérito salarial. Ufa! Será que tem mais contras do que prós em ser professor?

Sou defensora incansável da minha profissão: amo ser professora! Sofro muito, mas acredito que os momentos de felicidade superam qualquer lágrima derramada, seja ela de raiva ou frustração. Tenho por volta de 14 anos de sala de aula, e já vi de tudo: da glória com o sucesso dos alunos à frustrante batalha por aqueles que nem sempre chegam lá. E, posso afirmar, nada nos causa mais felicidade, mais prazer, do que ver que seu aluno chegou lá, conseguiu aprender, fez uso daquilo que você ensinou, é "alguém na vida", enfim. É lindo! Na verdade, vivemos por esses momentos. Os outros, os momentos ruins, apenas aparecem pela caminhada, provavelmente para nos ensinar ou alertar.

Por isso tudo: feliz dia do professor! Parabéns para você que também escolheu por amor, mas que nem por isso deixa de lutar pela valorização do seu salário. Parabéns para você que acolhe, acalenta, acarinha e ama seus alunos, fazendo de tudo por eles, mesmo que esse "tudo" não faça parte de suas funções originais. Parabéns para você que usa muitas de suas horas livres para pensar, planejar, estruturar e melhorar suas aulas, tentando fazer sempre de um jeito melhor, mais eficaz e definitivo. Parabéns para você que é feliz e ama o que faz, mesmo que entre vales de lágrimas e suor, ergue a cabeça e tem orgulho de ser professor! 

Aproveite a data para refletir sobre o seu ser professor. Valorize-se! Não espere que venha dos outros a solução. Fale com orgulho: sou professor! Parabéns, professor: guerreiro e merecedor!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Sobre a morte: refletindo o inevitável

Muitas pessoas preferem evitar esse assunto ou acham macabro falar sobre a morte. Outras, pensam que falar demais sobre a morte pode atraí-la. Eu também não sou fã do assunto, apesar de ser uma coisa que mexe comigo de várias maneiras.Hoje fui a um velório e pensar sobre a morte, e tudo ao seu redor, foi inevitável. 

Sentada lá, olhando para o caixão aberto, as coroas de flores (lindas, por sinal!), as pessoas e seus semblantes de luto, me vi absorta em memórias da minha vida. Pensei em meus entes queridos, em meu marido, em meus amigos do coração e, mais profundamente, em como, de uma hora para outra, tudo o que vivo pode acabar. Por um momento, me vi deitada naquele caixão de mogno, com alças cromadas, e pensei em todas as pessoas que passariam por ali, me olhariam, talvez tocariam minhas mãos ou meu rosto. Todas carregando seu semblante de luto. Impossível não pensar no dia em que eu estarei velando quem me é caro, e me entristecer com a ideia. A morte é nossa única certeza, e a coisa mais difícil é aceitá-la.

Comecei, então, a notar as pessoas: muitas choravam baixinho, outras, em silêncio, tinham o olhar parado, melancólico. Tenho certeza de que muitas estavam revendo suas vidas também, e tendo os mesmos pensamentos que eu. Ouvi alguém dizer: "ai, não gosto de velório, não deveria ter vindo" e me perguntei: alguém gosta de velório? Tirando alguma personagem louca de telenovelas, a maioria das pessoas realmente não se sente bem em velórios, e os motivos podem ser os mais diferentes possíveis. Mas existe uma coisa chamada amizade e outra chamada respeito. E quando uma pessoa amiga, de sua convivência, perde um parente, para mim, é uma questão de amizade e respeito ir ao velório e dar um abraço afetuoso, olhar nos olhos da pessoa e dizer: estou aqui, conte comigo nesse momento difícil. É óbvio que não é por hobby fazemos isso. Mas faz parte da boa convivência, do ajudar a quem precisa. Conheço pessoas que nunca vão e fico  imaginando-as sozinhas quando precisarem velar alguém. Você não precisa passar a noite (mas pode, se quiser), basta oferecer-se a quem sofre, de coração.

Sim, esse doloroso momento é inevitável e todos passaremos por ele um dia. E por mais óbvio que isso pareça, nunca estaremos preparados. Sempre será sofrido, deixará marcas, nos fará mal por algum tempo. Para citar meu amado pai novamente, ele sempre diz: "para morrer, basta estar vivo". Parece bobo, mas refletir sobre isso pode nos ajudar a melhorar nossas condutas, em todos os aspectos de nossa vida. Ter a certeza de que o amanhã pode não chegar, pode, de alguma maneira, mostrar-nos que precisamos do agora. É hoje que temos que pedir desculpas, é agora que devemos ser mais humildes, é para já que temos que dizer eu te amo. Não amanhã, nunca depois. Ser menos arrogante, não guardar rancor, perdoar, ajudar mais, sorrir mais, não perder mais nenhuma chance. Tudo isso passou pela minha cabeça hoje, sentada naquela sala fúnebre.

E, então, pergunto: porque precisamos de momentos como o de hoje para refletir, para resolver? O que é a morte para você? Ela mexe com você? De que maneira? Você vai esperar até estar velando alguém para decidir viver? Pode ser tarde demais...o velado pode ser você!

Marcia




terça-feira, 29 de julho de 2014

Considerações sobre o amor bandido

Amor bandido, doído, proibido. Daqueles que batem e ficam, impossível controlar, e mesmo machucando mais do que fazendo bem, continuam atormentando, indo e voltando. Quem nunca? 

Com certeza você já teve um amor bandido, ou conhece alguém que já teve. Em algum momento da vida se viu presa à uma relação que estava mais para fim da linha do que para planos futuros. Parece uma triste realidade, para quem está de fora, mas nem sempre é assim. Em minhas observâncias rotineiras do cotidiano alheio, comecei a me dar conta de que, muitas vezes, o dito amor bandido é o preferido, por não ter cobrança no final das contas. Será que é assim mesmo?

Sabe aquela situação: o cara te liga, normalmente de madrugada ou em horários "diferentes" e diz que quer te ver. Você não consegue segurar o sorriso largo, a tremedeira nas pernas e, claro, diz que sim. Ele vem, vocês se entregam à luxúria e, com a mesma naturalidade, ele vai embora. E você fica. Fica meio boba ainda, sentindo a presença dele por algumas horas, revivendo em seus pensamentos as insanidades que fizeram, e o sorriso continua largo. Mas, dias se passam e nada dele ligar novamente. Você começa a se sentir estranha. Meses se passam e nada dele ligar novamente. Você sente pena de si. "Amor bandido, é o que me resta!", pensa e dorme. 

E é aí que tudo pode ser diferente, eu acho. O cara te ligou, você também aproveitou da presença dele, usou e abusou dos momentos. Então, por que ficar se lamuriando, se cobrando e perguntando onde ele deve estar que não te procura mais? Não sinta dó de si, você é feliz nessa relação. Quando ele liga, você se sente a mais desejada, poderosa, a rainha do sexo mesmo. E aceita as migalhas de encontros casuais em tardes de outono. Por que o martírio do amor bandido?

E, se não for assim, se doer de verdade a falta que ele faz, por que não dar um basta nisso tudo? Se olhe no espelho e veja quem você realmente é. Pergunte a si mesma: eu gosto desse meu amor bandido? Gosto da aventura de não saber quando ele vem, quando ele volta - se volta? Se isso te faz bem e você lida naturalmente com os encontros e desencontros, você é sim feliz com esse bandido. Erga a cabeça e sorria largamente mesmo! Você tem a sorte de um amor bandido, quando muitas nem isso tem. Se te faz mal, erga a cabeça e na próxima vez que ele ligar, não atenda. Ignore. Sofra e continue ignorando, até passar. E, acredite: vai passar.

Engraçado como refletindo sobre os amores bandidos que vejo por aí, não vi homens sofrendo por esse tipo de relação. Não que não exista, mas é mais difícil de se perceber, porque, via de regra, todos os homens fantasiam com uma mulher aparecendo do nada, pronta pra jogo, e depois, indo embora sem cobrar, sem ligar, sem pedir ou dar satisfação. Logo, nós mulheres, sofremos mais com esse tipo de relação. Ou, aproveitamos mais desse tipo de relação também. Tudo depende do ponto de vista. Aliás, como já disse em um texto meu aqui: tudo depende de você. Banque a si mesma emocionalmente. Saiba escolher e assumir suas escolhas, sempre! E sorria largamente, com ou sem amor - bandido ou não.

P.S.: post dedicado à uma amiga muito querida :)

Marcia

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Sobre educação: estamos fazendo isso muito errado!

Depois de tudo o que vi acontecendo com as pessoas em relação à Copa e ao fim trágico do Brasil, destaco aqui um problema que saltou aos olhos, e que há um tempo me dou conta de que está acontecendo: não sabemos educar para o fracasso, e cada vez menos tentamos fazê-lo.

Tendo como moldes de educação programas dos Estados Unidos, onde diga-se de passagem a educação na família é de péssima qualidade ( na minha opinião e pelo o que eu vivenciei quando morei lá), onde uma super babá vai até a casa da família e "resolve" a questão, nós, brasileiros, estamos enfiando os pés pelas mãos! E essa certeza só piorou quando ouvi da boca do senhor Galvão, o narrador, "Quanto tempo o garotinho que estava chorando na arquibancada vai demorar para esquecer esse vexame? Quantos anos para esquecer o dia de hoje?" É sério isso, minha gente? Bem disse minha amiga Cláudia Gatti, em resposta à essa pergunta ridícula do Galvão, "vai demorar o tempo de chegar em casa, tomar um banho, comer alguma coisa e ligar o X-BOX..."

Vocês já perceberam que essa geração de crianças e adolescentes não sabe lidar com a frustração, o não, o fracasso? Mas, claro! Como é que saberiam se nós, os adultos, não estamos conseguindo educá-los para tanto. Veja: se alguém chamar meu filhinho de qualquer coisa feia, eu vou até a escola e exijo retratação. Se algum professor ousar dar uma nota vermelha ao meu anjinho, eu vou até a escola e exijo outra correção. Perceberam o erro? Eu, como professora, vivencio essas situações todos os dias, em sala de aula, nos corredores, na sala dos professores, na rua...Não se admite mais ser fraco, ter defeitos, ser preto, branco, gordo ou magro. Retrate-se, agora, pelo o que eu sou! Rá!

Meu sábio pai, sempre ele, me dizia uma coisa muito esperta: "se você não der audiência, essas coisas passam rápido. É só fingir que não é com você, que a pessoa percebe que não faz sucesso e desiste." Que homem maravilhoso, né? É claro que eu, criança, odiava esse conselho, mas seguia sempre. E olha que eu sofria muito bullying na escola. No tempo que essa palavra não existia em nossos dicionários, eu era chamada de magrela, campeã de nado, vareta de bater pecado, e por aí vai. Não pense que só os gordos se ofendem com xingamentos. Todos se ofendem e ninguém gosta. Mas, e daí? Sabemos que o ambiente escolar é feito disso também: piadas, muitas vezes de péssimo gosto, entre os colegas. E que levante a mão quem nunca sofreu ou causou bullying na escola! (eu fiz os dois) Vocês sobreviveram? Ou o que ouviram se tornou um trauma terrível em suas vidas, que os impede de viver normalmente hoje?

Como é que uma criança, Galvão, vai saber lidar com a queda dos heróis, se nunca precisou lidar com isso na vida? Minha amiga Cláudia saberia o que fazer: "vai tomar banho menino, que a janta tá pronta! Daqui quatro anos tem mais!" E é isso. Aprenda: a vida é feita muito mais de quedas do que de vitórias, pode ter certeza. E é isso que faz o momento da vitória tão saboroso, tão sonhado e tão bom! Será que é tão difícil mostrar aos nossos pequenos que a vida é assim? Ou você realmente imagina que seu filho, sobrinho, afilhado, irmão, vai viver longe de tudo o que é ruim, numa redoma de vidro, para sempre? Doce ilusão! Sabe de nada, inocente!

A vida é cruel: emprego, contas a pagar, frustrações, brigas, nota baixa, reprovação, falta de emprego, contas vencendo,traição, divórcio, morte...perder a Copa do Mundo, enfim! Quero mesmo acreditar que hoje, dois dias depois, mais calmos e já tendo lido muito à respeito, estejamos bem para admitir que a seleção brasileira não jogou nada, ficou apavorada, deixou a pressão psicológica dominar e foi fraca. Pronto, é isso. Só isso. É esporte, minha gente! Alguém tem que perder. E dessa lição, temos que tirar todas as outras para educar nossos pequenos: se você não se dedicar, vai tirar nota vermelha sim, não é a professora que dá a nota, é você que tira. Se aquele menino te chamar de "gordo" e você chorar, brigar, espernear, vão te chamar de gordo para a vida toda! E o que você pode fazer para mudar isso? Ou siga o exemplo do meu pai, e ignore que passa ( realmente, passa) ou vá fazer uma atividade física e melhore sua forma. Acorde!

Me apavora, realmente, a ideia de que estamos educando pessoas psicologicamente fracas, despreparadas para o mundo real, e que vão começar a atirar e matar todos aqueles que as contrariarem. Já imaginaram? Isso sim dá medo. Perder é ruim, claro. Mas faz parte. Levante a cabeça, criança, e siga em frente. Fortifique-se nos fracassos, para saber saborear a vitória!

P.S.: Quero deixar claro aqui que não levanto bandeira pró-bullying ou preconceito de maneira nenhuma. E sei bem que existem casos graves, muito graves, mas não é sobre isso que falei aqui. Levanto a bandeira pró-educação real, sem mentir ou omitir as mazelas da vida.

P.S. 2: Por favor, gostaria de saber sua opinião. Comente, aqui ou no Face, pois seu feedback é extremamente necessário para mim :) Thanks!


Marcia


sábado, 5 de julho de 2014

Sobre uma coisa que me irrita muito: alienação religiosa

[ATENÇÃO: SE VOCÊ É UM FANÁTICO RELIGIOSO, ESSE POST NÃO É PARA VOCÊ. SE VOCÊ NÃO CONSEGUE DISCUTIR, REFLETIR E INDAGAR SOBRE RELIGIÃO, NÃO CONTINUE. ESSE POST, DEFINITIVAMENTE, NÃO É PARA VOCÊ]

Sou católica. Vou à igreja, fui batizada, fiz Primeira Comunhão mas fugi da Crisma. Acredito no Pai, no Filho e no Espírito Santo e sou devota a Santo Antonio. Rezo à Virgem Maria, peço perdão a Deus, mas não me confesso a padres. Celebrei o sacramento do matrimônio no catolicismo também e, quando tiver filhos, os batizarei na mesma igreja. Ensinarei-os a rezar o Pai Nosso, a Ave Maria,  o Creio e, claro, a fazer o sinal da cruz.

Durante toda minha vida tive amigos das mais variadas religiões, ou formas de expressar a fé, e isso nunca foi motivo para continuar ou não a amizade. Sempre me perguntei o porquê de as pessoas se importarem tanto com a religião das outras, fazendo disso uma justificativa para menosprezá-las, julgá-las e afastar-se delas. Mas, espere! Não deveria ser ao contrário? Você já percebeu que, via de regra, quanto mais religiosamente fervorosa a pessoa é, mais preconceituosa ao diferente ela se mostra? Estranho...

Como disse na introdução, sou católica de formação e gosto muito da minha igreja. Mas, de nenhuma forma, isso me impede de refletir e criticar a alienação que vejo nos bancos das igrejas, tanto na minha quanto na sua. Infelizmente, não somente nos bancos das igrejas, mas também nos bate papos de esquina e, claro, nas redes sociais.

Observando, (como sempre) vejo gente desesperada em nome de uma religião. Desesperada para casar (pode?) por causa de uma religião. E pior: vejo gente matando em nome de uma religião. Apontando o dedo para todos, segurando a Bíblia na outra mão e praguejando sobre a vida dessa ou daquela pessoa. Tudo, em nome de uma religião. E me pergunto: como isso ainda pode ser possível, em pleno ano 2014? O que leva alguém a considerar-se cristão e temente a Deus e conseguir, de maneira tão cruel, desobedecer praticamente todos os mandamentos sagrados?

Gosto muito de ler, especialmente sobre História, e com isso acabo descobrindo e conhecendo muito sobre religiões e, por consequência, o cristianismo. E percebo, claramente, onde estão os erros, os defeitos e as mazelas das religiões: todas são comandadas por homens, e homens são corruptos por natureza. Então, é querer demais achar que a sua religião é perfeita, ou que o seu pastor, o seu padre, é perfeito e que todos os outros devem queimar no fogo do inferno, não acha? Eu acho. Alienar-se a ponto de entregar todos os seus bens materiais à uma igreja? Alienar-se a ponto de ofender, brigar, matar? Onde está o "amai ao próximo como a si mesmo"?  Certa vez li um desses posts de Facebook que define muito bem o que quero dizer aqui: NÃO JULGUE O MEU PECADO SÓ PORQUE É DIFERENTE DO SEU. Certo?

E, para terminar: faça o bem, sempre. Se você não segue nenhuma religião, mas faz o bem, com certeza está melhor do que muitos cativos dos bancos de igreja. Faça aquilo que te faz bem e faça o bem para o próximo. Ajude quando for possível, ofereça seu ombro a quem sofre, doe um pouco de você. Garanto que será mais benéfico para você (e para os outros) do que doar o dízimo. Aponte menos o dedo para quem "peca" e olhe mais para você: o que você está fazendo para evitar o sofrimento de uma criança carente, de um doente, de um cão abandonado? Não seria mais legal ajudar do que julgar? Não seria mais legal crer que todos podem ser melhores do que deixar-se alienar por homens de terno (ou batina) que pedem seu dinheiro, em nome de Jesus? Seria.

Marcia



quinta-feira, 3 de julho de 2014

Sobre como é indispensável mostrar-se feliz hoje em dia

Sei lá, pode ser que seja encanação minha, mas ando observando muito as pessoas e suas relações ultimamente,  e fico realmente indignada! Vocês já repararam? É só dar uma fuçada no seu feed de notícias do Facebook ou qualquer outra rede social da moda, e lá está: a necessidade constante e pulsante de mostrar-se MUITO feliz, sempre! Hello?! Quem vive assim de verdade? Onde é que fica esse lugar onde todo mundo come comidinhas deliciosas, está sempre dando bom dia, sorriso perfeito do lado de seu par perfeito, com sua casa perfeita, férias perfeitas...perfeitamente falso!

Aqui tenho que fazer um mea-culpa: já postei muita foto de comidinhas e momentos perfeitamente felizes como se estivesse em uma propaganda de margarina. Então, não estou ilesa de críticas, pelo contrário, acho até que escrevo aqui principalmente criticando muitas de minhas atitudes online.

Voltando ao ponto: de onde vem essa necessidade prioritária de se mostrar feliz sempre?? Como chegamos a esse ponto? Vocês não se pegam pensando isso? Ou até mesmo, enjoados de tudo isso? Nossa...
Por que será que essa geração acha tão difícil lidar com o negativo, o ruim, o péssimo dia, o cabelo cheio de frizz, o mau humor, levar um fora, chorar?Enfim, por que será que é tão difícil passar por tudo o que a vida tem a oferecer, sem filtrar, sem se acovardar diante dos problemas? Por que os outros tem sempre que achar que SOMOS felizes, ao invés de assumirmos que, às vezes, ESTAMOS felizes, mas nem sempre isso é possível.

Talvez não haja resposta para essas perguntas todas, e eu nem espero que haja mesmo! É apenas um desabafo despretensioso,lembre-se, saindo assim, loucamente do fundo do peito, e tentando, quem sabe, entender o que acontece. Mas se não der, tudo bem, nada vai mudar. Talvez você passe a perceber isso tudo de forma diferente e tentar filtrar mais seus "momentos felizes" antes de postá-los. 

Ahhh e tem uma coisa que me deixa mais nervosa ainda: o tal dos #100happydays. WTF?? Que diabos é isso, minha gente?? Hey, você que posta coisas com essa hashtag ou qualquer outra sobre "como sou feliz": vá buscar ajuda psicológica, meu bem! Escrever sobre sua felicidade constante, usando uma hashtag própria para isso, é caso de tratamento. Você é carente e precisa de auto-afirmação, ou seja, escreve para que você mesmo acredite naquilo que lê. Mas acalme-se: há salvação para você.

"Viver, e não ter a vergonha de ser feliz..." Seja feliz sim. Não estou aqui, emburrada, do tipo: "todo mundo é feliz menos eu :(" Não é isso, mesmo! Mas seja feliz de verdade, diga ao seu parceiro, ao seu amigo, aos seus pais como você é feliz. Olhe nos olhos, fique 100% com a pessoa para que ela entenda o que realmente importa. Seja feliz, sim! Mas offline, please!

Ou não, e continue com a ilusão. E ainda por cima, me ache uma mal amada, rabugenta, infeliz e tudo mais. A escolha é sua. Entenda isso, de uma vez por todas: a escolha sempre é sua, e sempre há tempo para mudar o curso de sua jornada pela vida! Viva!

Marcia