Amor bandido, doído, proibido. Daqueles que batem e ficam, impossível controlar, e mesmo machucando mais do que fazendo bem, continuam atormentando, indo e voltando. Quem nunca?
Com certeza você já teve um amor bandido, ou conhece alguém que já teve. Em algum momento da vida se viu presa à uma relação que estava mais para fim da linha do que para planos futuros. Parece uma triste realidade, para quem está de fora, mas nem sempre é assim. Em minhas observâncias rotineiras do cotidiano alheio, comecei a me dar conta de que, muitas vezes, o dito amor bandido é o preferido, por não ter cobrança no final das contas. Será que é assim mesmo?
Sabe aquela situação: o cara te liga, normalmente de madrugada ou em horários "diferentes" e diz que quer te ver. Você não consegue segurar o sorriso largo, a tremedeira nas pernas e, claro, diz que sim. Ele vem, vocês se entregam à luxúria e, com a mesma naturalidade, ele vai embora. E você fica. Fica meio boba ainda, sentindo a presença dele por algumas horas, revivendo em seus pensamentos as insanidades que fizeram, e o sorriso continua largo. Mas, dias se passam e nada dele ligar novamente. Você começa a se sentir estranha. Meses se passam e nada dele ligar novamente. Você sente pena de si. "Amor bandido, é o que me resta!", pensa e dorme.
E é aí que tudo pode ser diferente, eu acho. O cara te ligou, você também aproveitou da presença dele, usou e abusou dos momentos. Então, por que ficar se lamuriando, se cobrando e perguntando onde ele deve estar que não te procura mais? Não sinta dó de si, você é feliz nessa relação. Quando ele liga, você se sente a mais desejada, poderosa, a rainha do sexo mesmo. E aceita as migalhas de encontros casuais em tardes de outono. Por que o martírio do amor bandido?
E, se não for assim, se doer de verdade a falta que ele faz, por que não dar um basta nisso tudo? Se olhe no espelho e veja quem você realmente é. Pergunte a si mesma: eu gosto desse meu amor bandido? Gosto da aventura de não saber quando ele vem, quando ele volta - se volta? Se isso te faz bem e você lida naturalmente com os encontros e desencontros, você é sim feliz com esse bandido. Erga a cabeça e sorria largamente mesmo! Você tem a sorte de um amor bandido, quando muitas nem isso tem. Se te faz mal, erga a cabeça e na próxima vez que ele ligar, não atenda. Ignore. Sofra e continue ignorando, até passar. E, acredite: vai passar.
Engraçado como refletindo sobre os amores bandidos que vejo por aí, não vi homens sofrendo por esse tipo de relação. Não que não exista, mas é mais difícil de se perceber, porque, via de regra, todos os homens fantasiam com uma mulher aparecendo do nada, pronta pra jogo, e depois, indo embora sem cobrar, sem ligar, sem pedir ou dar satisfação. Logo, nós mulheres, sofremos mais com esse tipo de relação. Ou, aproveitamos mais desse tipo de relação também. Tudo depende do ponto de vista. Aliás, como já disse em um texto meu aqui: tudo depende de você. Banque a si mesma emocionalmente. Saiba escolher e assumir suas escolhas, sempre! E sorria largamente, com ou sem amor - bandido ou não.
P.S.: post dedicado à uma amiga muito querida :)
Marcia