sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Sobre eu estar velha. Sim. Não ria!

Sexta à noite. Rotina se repete: marido parte para o trabalho, eu cuido dos afazeres domésticos, alimento minhas cadelinhas (e agora gatinha) e tomo um banho. Abro uma garrafa de vinho, ou uma cerveja, e vou para o sofá. Navego pelo Facebook, Snapchat, Instagram, Whatsapp, Youtube. Mais um gole. A vida é boa!

Talvez eu esteja ficando velha. Talvez eu JÁ esteja velha. Mas agora, com trinta e cinco anos - sim! 35, eu sei que não parece! - me pego valorizando e me apegando a coisas que não fariam minha cabeça há dez anos atrás. Se você é da minha geração, ou mais velho, sabe exatamente do que eu estou falando. Se você é mais novo, continue lendo, pois um dia passará por isso também.

Meu pai. Cara, na minha adolescência eu não entendia nada sobre meu pai. Trabalhava demais, era sério demais, conversava de menos. Sempre quieto, na dele. Mas, que coração!! Hoje, eu aos trinta e cinco, e ele aos 72, vejo tudo diferente: que cara vencedor! Começou seus estudos, no primeiro ano do primário (hoje fundamental) aos 10 anos. Sim, amiguinhos, com 10 anos!!! E, sabe o que aconteceu depois? Foi fazer o Fundamental II, aos 20 e o Ensino Médio, que naquele tempo se chamava "Científico", dos 25 aos 27 anos num colégio chamado João XXIII, em Maringá. Normal, né? Sim. Só que ele morava em Paiçandu, não tinha ônibus nos horários que precisava e muto menos carro. Sabe o que ele fazia? Vinha de bicicleta, ta ligado, todo santo dia, de Paiçandu até Maringá, na bike. Que pernocas devia ter papai, não é? E quando chovia? Ah, daí era ele quem carregava a bike, para não atolar no barro. Já se imaginou fazendo isso para poder estudar? É, eu sei que não... E, ao voltar do colégio, ele ia para a roça trabalhar. As tarefas e os trabalhos? Fazia depois, à noite, na base do lampião (você já viu um?). Lembro dele me contando que "ficava com o nariz todo preto, sujo da fumaça que saía do lampião". Mas, ele persistiu. E conseguiu passar em dois (!!!) vestibulares da UEM. Escolheu um curso, Economia, e concluiu, já com 35 anos, casado e com uma filha, seu Ensino Superior. Foda, né? Sim, eu sei.

Minha mãe. Mano do céu! Com essa eu briguei, heim? Altas tretas com ela na minha adolescência toda! Pensa: ela de Áries, eu de Leão. Eram brigas infinitas. Mas o amor sempre foi infinito também. Ela já não teve a mesma vontade, coragem ou persistência do meu pai. Além de tudo, mulher, né? "Mulher quer estudar pra quê?" Então, ela fez até o que seria o nono ano de hoje. Mas, aos 10 anos já trabalhava em casa de família, limpando, cuidando de criança, essas coisas. Trabalhou muito, essa guerreira. Pensa em uma baixinha tinhosa. Então, é minha mãe. Exemplo de mulher com M maiúsculo!! Como ela e meu pai, virginiano, deram certo e estão juntos há mais de 40 anos, aí eu já não sei. Como diria o poeta contemporâneo Zezé di Camargo: "é o amooooor!!"

Meu marido. Amiguinhos,não quero fazer propaganda nem nada, mas meu marido é foda demais! Ele me dá provas de amor de maneiras mais fora do padrão possíveis. E, confesso, demorei para perceber isso. Sabe quando você ama animais, gostaria de ter vários em casa, mas a pessoa com quem você divide a casa não sente o mesmo? Então. Não estou falando da Jolie e da Cookie, não. Fernando não gosta de gatos. Estou falando da Corona. Fernando tem aflição a gatos. Mas, mesmo assim, não poupou esforços e apareceu com madeira, lonas, tijolos e afins, e construiu uma master casa para ela poder abrigar-se com seus bebês. Ele sabia como isso era, e é, importante para mim. Flores? Chocolates? Jantares românticos? Sim, ele faz tudo isso. Mas, convenhamos: construir uma casinha super segura para abrigar minha mais nova paixão, a Corona, foi uma prova de amor sensacional!

Eu poderia prosseguir, mas não quero cansá-los, amados leitores. O que eu quero, com essas histórias, é mostrar que ser feliz também é reconhecer o amor e o sacrifício do outro. Roupas novas, sapatos lindos, festas maravilhosas? Gosto, amo, adoro! Mas, isso é efêmero. As atitudes ficam. Os exemplos são lembrados. O carinho afaga a alma. E, do que mais precisamos se não um afago na alma? Um aconchego, um abraço, um " eu te amo" em forma de um almoço delicioso feito por mamãe, ou uma ajuda em Matemática feita por papai, ou "já dei a ração da gata", dito por meu marido? 

Com o tempo, aprendemos a valorizar esse tipo de demonstração de amor. Com o tempo, aprendemos que a felicidade está sempre ao redor. Mas, só o tempo traz isso. Conversa de gente velha? Pode ser. Quem disse que já não estou velha? Se estar velha é reconhecer tais carinhos, sim, estou bem velha. E muito feliz, obrigada!

Marcia 

terça-feira, 31 de maio de 2016

Sobre como NÃO perder um boy em 05 passos


AVISO: texto com alto índice de sarcasmo. Se você é daquelas pessoas que não entendem sarcasmo, pode parar por aqui.
Agora, se você sabe rir de situações nas quais muitas vezes estava inserido, continue até o final. Você vai gostar!


Cansada de ter os meninos todos aos seus pés? De saco cheio da fila de meninos correndo atrás de você? Não aguenta mais os pedidos de namoro e amor eterno? Não quer ficar com o amor da sua vida?  Esse texto é para você, gata! Acomode-se na cadeira e anote: como perder um boy em 05 passos.

PASSO UM: Poste para o mundo todo que ele é SEU. Isso mesmo, garota. Quer que o boy passe a te evitar? Poste todos os dias, várias vezes ao dia, o quanto você o ama, e como você tem certeza de que ele é seu, só seu, todo seu, de mais ninguém. Posse sua, pertence a você...vai por ai, que você alcançará o seu objetivo.

PASSO DOIS: Tome posse do celular do gato. Claro! Quer que ele passe a ter raiva de você e suma da sua vida? Trate do celular do gato como se fosse seu. Não deixe que ele tenha senha, fiscalize o celular sempre que possível, entre em todas as redes sociais e galeria de fotos. Cheque tu-do! E na frente dele, para ele ter a certeza do quanto você o ama (rá!). Ah, e quando você estiver longe dele, peça print, de hora em hora, da tela inicial do whats app, só pra ver com quem ele anda falando, claro.

PASSO TRÊS: Dando continuidade ao passo dois, o passo três consiste em deletar e bloquear todas as amiguinhas. Capaz! Homem comprometido não tem que ter amiguinhas porra nenhuma, não é mesmo? Cada vez que ele adicionar uma menina, você vai lá deleta e bloqueia. Namorado seu não pode ter amiguinhas, não! Aproveite e proíba ele de falar com toda e qualquer pessoa do sexo feminino entre 12 e 60 anos, que não seja a mãe ou a avó. Só por garantia, né?

PASSO QUATRO: Tenha MUITO ciúme. Mas muito mesmo! Está online e não está falando com você? Roda a baiana! Saiu do trabalho às 18 h e já são 18h10 e ele não chegou ainda? Onde está esse safado? Entrou no banho e demorou mais do que cinco minutos?? Está demorando no banho porque ta pensando em quem, heim? Ciúme exagerado fará ele correr de você rapidinho.

PASSO CINCO: Para arrematar e fazer o boy desaparecer de vez, o quinto passo é essencial. Pense comigo: uma vez que ele já pertence a você, você já controla as redes sociais dele e elimina as amiguinhas da vida dele, o que está faltando? Acabar de vez com essa graça de ter amigos, parças, trutas, essas coisas. Pode parar! Jogar bola com os amigos? Pra quê? Será que ele não está feliz em ficar só com você? Vídeo game no sábado à tarde? Jamais! Você quer que ele te leve ao shopping ou que vocês passem a tarde grudadinhos vendo tv. Andar de skate/ bicicleta/correr com os amigos? Ele não precisa fazer nada que não seja ao seu lado, não é? Então, garota, corte essa farra de ter amigos. Ele é só SEU, lembra?

Prontinho. Siga direitinho esses passos e garanto: seu boy vai sumir e não deixará rastro!

É minha gente...seria cômico se não fosse trágico. Todos esses passos criei observando atitudes de meninas/mulheres no FaceBook. Sim, acredite! Tem muita gente que age assim com o namorado/parceiro.  Agora, uma única dica, essa sim, verdadeira, de como ser feliz com ou sem boy:

DICA ÚNICA: Valorize-se! Não mendigue amor, não obrigue ninguém a isso ou aquilo. Tenha amor próprio. E lembre-se: as pessoas tem uma vida independente de você existir ou não na vida delas. Então, não tente acabar com isso com suas inseguranças. Seja mais você, sempre! Garanto que atrairá só gente do bem pra sua vida.

P.S.: fiz o texto para meninas que gostam de meninos, por ser o tipo de exemplo que eu mais vejo nas redes sociais e na vida. Mas, é só mudar o gênero da pessoa insegura ou do parceiro, que ele pode se encaixar a qualquer tipo de relacionamento amoroso.

Marcia

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sobre motivação: o que te dá tesão na vida?

"Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí  entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez..." Carlos Drummond de Andrade

Então, começo este texto com uma pergunta inspirada no pensamento de Drummond: quando você cansa, quando os doze meses te esgotam, te mastigam e te cospem fora, o que te motiva a continuar, a começar outra vez? O que te dá tesão de viver?

Janeiro de um novo ano, férias, tempo suficiente para observar e pensar sobre o que passou; planejar e desejar o que está por vir; indagar sobre escolhas feitas nos últimos 12 meses, ou 12 anos talvez. E me vi pensando sobre os motivos que me levam a fazer certas coisas, ou os motivos que me fazem desistir de outras. Mo-ti-va-ção. E, não falo aqui daquela motivação batida, cansada, de livros de autoajuda e palestras que prometem a felicidade eterna, não. Aqui, me refiro ao substantivo feminino motivação: ato ou efeito de motivar; conjunto de processos que dão ao comportamento uma intensidade, uma direção determinada. O que te dá uma direção determinada na vida?

Quando você precisa sair da cama em uma chuvosa segunda de manhã, o que te motiva? O que te faz ir até seu trabalho, ou escola, todo dia? O que te faz enfrentar o dia a dia, matar os leões que encontra e ainda ter forças para voltar para casa? O que te dá arrepios, frio na barriga? O que acelera seu coração e faz sua respiração ficar ofegante? O que te faz sorrir?

Para cada uma dessas perguntas, pode ser que você tenha um motivo diferente, ou até que várias perguntas tenham como resposta o mesmo motivo. Pode ser até que você não tenha motivos, ou não os reconheça, assim, de cara. Pode pensar a respeito, eu deixo ;) 

Para mim, uma única palavra responde a todas as perguntas desse texto: paixão! Apesar de entendermos que a paixão ofusca a razão, nada melhor do que estar apaixonado, ser apaixonado, viver apaixonado. Calma, isso não precisa ser aquela paixão avassaladora entre duas pessoas, não.( mas pode ser, sim, por que não?). Mas, se você consegue levantar da cama numa segunda chuvosa e ir trabalhar, precisa estar apaixonado pelo que faz (ou precisando muito trabalhar, mas aí é tema para outro texto).Enfrentar as batalhas escondidas no cotidiano? Ah, só com muita paixão! Sentir arrepios ou frio na barriga? Sintomas clássicos de paixão. Contudo, essa é só a opinião de uma apaixonada romântica incurável: eu.

As respostas para as perguntas feitas acima talvez sejam: necessidade, fome, obrigação, contratos, etc...? Sim, pode ser que sejam mesmo. Mas a mim, o que me dá tesão de viver é a paixão! Sou apaixonada por tantas coisas, tantas pessoas, tantos cheiros e tantos sabores. Isso me tira do chão, me faz ver passarinhos verdes, me motiva a fazer tudo outra vez, se possível melhor, se possível de um jeito diferente. E, nada melhor do que começar mais um ano pensando sobre essas paixões e o peso que elas exercem em minha vida, refletindo sobre a importância de cada paixãozinha na minha rotina diária. 

Te convido a pensar também: você consegue reconhecer quais paixões passam pelo seu dia? O que te deixa de cabeça para baixo e o que te tira do sério? Qual a importância desses sentimentos e qual o espaço que você dá a eles? 

E, se você não conseguiu achar seu tesão na vida ainda, calma. O ano está só começando...

Marcia