"Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez..." Carlos Drummond de Andrade
Então, começo este texto com uma pergunta inspirada no pensamento de Drummond: quando você cansa, quando os doze meses te esgotam, te mastigam e te cospem fora, o que te motiva a continuar, a começar outra vez? O que te dá tesão de viver?
Janeiro de um novo ano, férias, tempo suficiente para observar e pensar sobre o que passou; planejar e desejar o que está por vir; indagar sobre escolhas feitas nos últimos 12 meses, ou 12 anos talvez. E me vi pensando sobre os motivos que me levam a fazer certas coisas, ou os motivos que me fazem desistir de outras. Mo-ti-va-ção. E, não falo aqui daquela motivação batida, cansada, de livros de autoajuda e palestras que prometem a felicidade eterna, não. Aqui, me refiro ao substantivo feminino motivação: ato ou efeito de motivar; conjunto de processos que dão ao comportamento uma intensidade, uma direção determinada. O que te dá uma direção determinada na vida?
Quando você precisa sair da cama em uma chuvosa segunda de manhã, o que te motiva? O que te faz ir até seu trabalho, ou escola, todo dia? O que te faz enfrentar o dia a dia, matar os leões que encontra e ainda ter forças para voltar para casa? O que te dá arrepios, frio na barriga? O que acelera seu coração e faz sua respiração ficar ofegante? O que te faz sorrir?
Para cada uma dessas perguntas, pode ser que você tenha um motivo diferente, ou até que várias perguntas tenham como resposta o mesmo motivo. Pode ser até que você não tenha motivos, ou não os reconheça, assim, de cara. Pode pensar a respeito, eu deixo ;)
Para mim, uma única palavra responde a todas as perguntas desse texto: paixão! Apesar de entendermos que a paixão ofusca a razão, nada melhor do que estar apaixonado, ser apaixonado, viver apaixonado. Calma, isso não precisa ser aquela paixão avassaladora entre duas pessoas, não.( mas pode ser, sim, por que não?). Mas, se você consegue levantar da cama numa segunda chuvosa e ir trabalhar, precisa estar apaixonado pelo que faz (ou precisando muito trabalhar, mas aí é tema para outro texto).Enfrentar as batalhas escondidas no cotidiano? Ah, só com muita paixão! Sentir arrepios ou frio na barriga? Sintomas clássicos de paixão. Contudo, essa é só a opinião de uma apaixonada romântica incurável: eu.
As respostas para as perguntas feitas acima talvez sejam: necessidade, fome, obrigação, contratos, etc...? Sim, pode ser que sejam mesmo. Mas a mim, o que me dá tesão de viver é a paixão! Sou apaixonada por tantas coisas, tantas pessoas, tantos cheiros e tantos sabores. Isso me tira do chão, me faz ver passarinhos verdes, me motiva a fazer tudo outra vez, se possível melhor, se possível de um jeito diferente. E, nada melhor do que começar mais um ano pensando sobre essas paixões e o peso que elas exercem em minha vida, refletindo sobre a importância de cada paixãozinha na minha rotina diária.
Te convido a pensar também: você consegue reconhecer quais paixões passam pelo seu dia? O que te deixa de cabeça para baixo e o que te tira do sério? Qual a importância desses sentimentos e qual o espaço que você dá a eles?
E, se você não conseguiu achar seu tesão na vida ainda, calma. O ano está só começando...
Marcia
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