segunda-feira, 4 de junho de 2018

Sobre estar me sentindo abandonada

Eu nunca falo sobre isso. Nunca. Apenas com amigas fiéis e íntimas. Mas hoje estou me sentindo abandonada. Não, não por elas. Jamais por elas. Estou me sentindo abandonada por Ele.

Há 4 anos estamos nessa luta. Entrar e sair de consultórios, assinar cheques e mais cheques. Exames. Expectativas. Lenços e mais lenços de papel. Na grande maioria das vezes, mantenho a calma e a fé. Hoje não consigo.

Pergunto a Ele: "por quê?", mas não tenho resposta. Pergunto então: "há um propósito nisso tudo?". Silêncio do lado de lá. Será que Ele me acha mal educada? Ingrata? Fraca na fé? Ou será que Ele afaga meus cabelos enquanto eu choro? Nao sei...

Sei que hoje preciso escrever e deixar claro pra Ele, por escrito, que estou SIM me sentindo abandonada. É errado sentir assim? Sei não...quem nunca? Pelos mais diversos motivos, quem nunca? No fundo, lá no fundo, imagino que Ele esteja rindo de mim e dizendo "filha boba, estou bem aqui, não te abandonei não. Sei que está difícil, mas nunca saí do seu lado". Ah, como queria ouvir isso Dele!

Enquanto não ouço, sigo a vida, 85% muito feliz e realizada, de verdade. Mas tem dias, como hoje, que a sensação de abandono, esquecimento e dúvida tomam conta. 
E o que eu faço? Ah, eu me deixo entristecer. Só por hoje.
 
                                                       Marcia


domingo, 13 de agosto de 2017

Sobre o sabor agridoce de mais um aniversário

Enfim, 18...pela segunda vez!

Ah, os dezoito anos! Maior idade, tirar carteira de motorista, poder beber um drink sem ser escondido. O cheiro de juventude e inconsequência paira no ar.

Mas, e quando chega a hora de comemorar duas vezes os dezoitao? Ah, daí bate aquela bad... Dirigir já perdeu a graça, visto que faço isso todo santo dia. Passo no mercado e compro um vinho sem nem sentir aquela emoção de estar comprando uma bebida alcoólica. Balada? Se começar as 20h e tiver lugar pra sentar, tô dentro!

Sim, estou muito diferente. E não só no comportamento. Quando olho no espelho, vejo os quilos a mais que os anos trouxeram. Vejo a expressão de cansaço estampada em linhas finas no meu rosto. Minha pele já não tem aquela firmeza e meu cabelos..ah, meus cabelos! Quanta diferença!

Não vou mentir: não me sinto bem ao constatar que estou envelhecendo e que não dá pra mudar isso. Agradeço a experiência de hoje em dia, coisa que a idade também nos traz, e me esforço para encarar com um sorriso no rosto esses 36 anos de vida. Consigo aconselhar com propriedade, contar histórias de 20 anos atrás com se fossem de ontem. Mas, quando ouço que Spice Girls são um "clássico" ou "vintage", confesso que o peso da idade volta com tudo.

Acredito que para todos seja assim: um ir e vir infinito de emoções. Envelhecer tem seu preço, eu sei. Mas, também tem o bônus de já saber de tanta coisa e poder passar isso a diante, de ter vivido tantos momentos especiais, de ter visto fatos históricos, e o mais importante: de ter conquistado muita coisa na vida!

Ao final da reflexão, 80% de mim já consegue ser grata por estar com 36 anos. Mas, aqueles 20%..ahhh como eu queria estar comemorando meus primeiros 18 anos!

                                     Marcia

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Sobre o Miss Universo 2017

"-Miss Universo? Ainda passa isso na TV? Nossa, me sinto em 1960!"

Sim, estamos em 2017 e, sim, ainda paramos para ver concurso de beleza (?) na TV. Eu assisti. Meus amigos assistiram. O mundo assistiu. Mas, não seria essa uma questão para refletir, sendo que durante todo o ano de 2016, e anteriores, discutimos padrões, esteriótipos, preconceito, etc...? Quantas mulheres reais se sentiram representadas na noite de ontem? Acho válidas as considerações a seguir:

"Que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental" - Vinicius de Moraes.
Nunca esteve tão errado, nosso poetinha. Em um concurso de miss é que percebemos como a beleza é subjetiva. Aqui em casa, por exemplo, eu torcia para: Brasil, Quênia, Venezuela, Canadá, Colômbia e França. Meu marido achou a Tailandesa e a Colombiana lindas. Houve um ano em que a Japonesa ganhou. Esse ano, ela não ficou entre as 13 mais belas. Nossa brasileira, Raissa, lindíssima! Elegante, sorridente, inteligente. Não ficou entre as nove e ficamos frustrados!

"Não aos padrões de beleza!"
Bem, esse é um tópico delicado. Sou totalmente a favor da frase acima, de se aceitar como você é, de não colocar sua felicidade em uma balança. Mas, esse tipo de concurso apenas corrobora com a ideia de beleza padrão, magra, alta, sorriso perfeito, traços delicados, andar de passarela. Eu não sou nada disso. Você é? Mas, sou muito feliz. Você é? Só que, mesmo em situações como essa, vemos pessoas esbravejando na rede, contra essa ou aquela, por conta de sua aparência física! Mais ainda, pessoas engajadas, que lutam contra preconceitos, destilando preconceito. A que mais sofreu foi a Miss Canadá. Gorda? Oi? Com certeza não, pois não estaria participando caso não se encaixasse nas medidas obrigatórias. E se fosse? Não pode porquê? Não é isso que lutamos para desconstruir? Para se pensar...

"Juiz filha da p*ta!!! Foi pênalti sim!!!"
Assistindo ao Miss Universo e acompanhando as redes sociais ao mesmo tempo, me senti em uma partida de futebol. Das mais escrotas. Se meu time não ganha, então, que se foda os outros. Só meu time é bom o suficiente, Os outros times estão roubando. Nossa! Será que é tão difícil, ainda, aceitar a derrota? A brasileira é linda, sim, mas outras belezas também estavam ali. Meu marido me perguntou como eles julgam e eu, sem saber responder, comecei a pensar nos critérios. Óbvio que não é só a beleza e simpatia. Li em algumas postagens que à brasileira faltou a fluência no inglês. Não acho que isso seria critério para eliminar, visto que são moças do mundo todo, e muitas fazem uso do intérprete. Por outro lado, ter a fluência no inglês deveria ser tão importante quanto saber desfilar, cuidar da pele, do cabelo. Ou seja, um conjunto que funcionaria direitinho. 

Por fim, sempre há espaço para discussão em programas como esse. Os comentários do pessoal que apresentava aqui do Brasil mesmo, dariam outra postagem, ainda maior que essa. Cheios de preconceito mesmo. Mas, daí eu ia até meu FB e via mais preconceito ainda. Poxa! Fica difícil. 

Melhorem, Apenas, melhorem. E, se eu pudesse votar, pediria mudanças em concursos como esse. Não somos todas de 1,80, magras, cabelos lisos, pele perfeita, corpo longilíneo e cintura 60. E sim, a beleza é subjetiva. Hoje, mais do que nunca!

Marcia


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Sobre eu estar velha. Sim. Não ria!

Sexta à noite. Rotina se repete: marido parte para o trabalho, eu cuido dos afazeres domésticos, alimento minhas cadelinhas (e agora gatinha) e tomo um banho. Abro uma garrafa de vinho, ou uma cerveja, e vou para o sofá. Navego pelo Facebook, Snapchat, Instagram, Whatsapp, Youtube. Mais um gole. A vida é boa!

Talvez eu esteja ficando velha. Talvez eu JÁ esteja velha. Mas agora, com trinta e cinco anos - sim! 35, eu sei que não parece! - me pego valorizando e me apegando a coisas que não fariam minha cabeça há dez anos atrás. Se você é da minha geração, ou mais velho, sabe exatamente do que eu estou falando. Se você é mais novo, continue lendo, pois um dia passará por isso também.

Meu pai. Cara, na minha adolescência eu não entendia nada sobre meu pai. Trabalhava demais, era sério demais, conversava de menos. Sempre quieto, na dele. Mas, que coração!! Hoje, eu aos trinta e cinco, e ele aos 72, vejo tudo diferente: que cara vencedor! Começou seus estudos, no primeiro ano do primário (hoje fundamental) aos 10 anos. Sim, amiguinhos, com 10 anos!!! E, sabe o que aconteceu depois? Foi fazer o Fundamental II, aos 20 e o Ensino Médio, que naquele tempo se chamava "Científico", dos 25 aos 27 anos num colégio chamado João XXIII, em Maringá. Normal, né? Sim. Só que ele morava em Paiçandu, não tinha ônibus nos horários que precisava e muto menos carro. Sabe o que ele fazia? Vinha de bicicleta, ta ligado, todo santo dia, de Paiçandu até Maringá, na bike. Que pernocas devia ter papai, não é? E quando chovia? Ah, daí era ele quem carregava a bike, para não atolar no barro. Já se imaginou fazendo isso para poder estudar? É, eu sei que não... E, ao voltar do colégio, ele ia para a roça trabalhar. As tarefas e os trabalhos? Fazia depois, à noite, na base do lampião (você já viu um?). Lembro dele me contando que "ficava com o nariz todo preto, sujo da fumaça que saía do lampião". Mas, ele persistiu. E conseguiu passar em dois (!!!) vestibulares da UEM. Escolheu um curso, Economia, e concluiu, já com 35 anos, casado e com uma filha, seu Ensino Superior. Foda, né? Sim, eu sei.

Minha mãe. Mano do céu! Com essa eu briguei, heim? Altas tretas com ela na minha adolescência toda! Pensa: ela de Áries, eu de Leão. Eram brigas infinitas. Mas o amor sempre foi infinito também. Ela já não teve a mesma vontade, coragem ou persistência do meu pai. Além de tudo, mulher, né? "Mulher quer estudar pra quê?" Então, ela fez até o que seria o nono ano de hoje. Mas, aos 10 anos já trabalhava em casa de família, limpando, cuidando de criança, essas coisas. Trabalhou muito, essa guerreira. Pensa em uma baixinha tinhosa. Então, é minha mãe. Exemplo de mulher com M maiúsculo!! Como ela e meu pai, virginiano, deram certo e estão juntos há mais de 40 anos, aí eu já não sei. Como diria o poeta contemporâneo Zezé di Camargo: "é o amooooor!!"

Meu marido. Amiguinhos,não quero fazer propaganda nem nada, mas meu marido é foda demais! Ele me dá provas de amor de maneiras mais fora do padrão possíveis. E, confesso, demorei para perceber isso. Sabe quando você ama animais, gostaria de ter vários em casa, mas a pessoa com quem você divide a casa não sente o mesmo? Então. Não estou falando da Jolie e da Cookie, não. Fernando não gosta de gatos. Estou falando da Corona. Fernando tem aflição a gatos. Mas, mesmo assim, não poupou esforços e apareceu com madeira, lonas, tijolos e afins, e construiu uma master casa para ela poder abrigar-se com seus bebês. Ele sabia como isso era, e é, importante para mim. Flores? Chocolates? Jantares românticos? Sim, ele faz tudo isso. Mas, convenhamos: construir uma casinha super segura para abrigar minha mais nova paixão, a Corona, foi uma prova de amor sensacional!

Eu poderia prosseguir, mas não quero cansá-los, amados leitores. O que eu quero, com essas histórias, é mostrar que ser feliz também é reconhecer o amor e o sacrifício do outro. Roupas novas, sapatos lindos, festas maravilhosas? Gosto, amo, adoro! Mas, isso é efêmero. As atitudes ficam. Os exemplos são lembrados. O carinho afaga a alma. E, do que mais precisamos se não um afago na alma? Um aconchego, um abraço, um " eu te amo" em forma de um almoço delicioso feito por mamãe, ou uma ajuda em Matemática feita por papai, ou "já dei a ração da gata", dito por meu marido? 

Com o tempo, aprendemos a valorizar esse tipo de demonstração de amor. Com o tempo, aprendemos que a felicidade está sempre ao redor. Mas, só o tempo traz isso. Conversa de gente velha? Pode ser. Quem disse que já não estou velha? Se estar velha é reconhecer tais carinhos, sim, estou bem velha. E muito feliz, obrigada!

Marcia 

terça-feira, 31 de maio de 2016

Sobre como NÃO perder um boy em 05 passos


AVISO: texto com alto índice de sarcasmo. Se você é daquelas pessoas que não entendem sarcasmo, pode parar por aqui.
Agora, se você sabe rir de situações nas quais muitas vezes estava inserido, continue até o final. Você vai gostar!


Cansada de ter os meninos todos aos seus pés? De saco cheio da fila de meninos correndo atrás de você? Não aguenta mais os pedidos de namoro e amor eterno? Não quer ficar com o amor da sua vida?  Esse texto é para você, gata! Acomode-se na cadeira e anote: como perder um boy em 05 passos.

PASSO UM: Poste para o mundo todo que ele é SEU. Isso mesmo, garota. Quer que o boy passe a te evitar? Poste todos os dias, várias vezes ao dia, o quanto você o ama, e como você tem certeza de que ele é seu, só seu, todo seu, de mais ninguém. Posse sua, pertence a você...vai por ai, que você alcançará o seu objetivo.

PASSO DOIS: Tome posse do celular do gato. Claro! Quer que ele passe a ter raiva de você e suma da sua vida? Trate do celular do gato como se fosse seu. Não deixe que ele tenha senha, fiscalize o celular sempre que possível, entre em todas as redes sociais e galeria de fotos. Cheque tu-do! E na frente dele, para ele ter a certeza do quanto você o ama (rá!). Ah, e quando você estiver longe dele, peça print, de hora em hora, da tela inicial do whats app, só pra ver com quem ele anda falando, claro.

PASSO TRÊS: Dando continuidade ao passo dois, o passo três consiste em deletar e bloquear todas as amiguinhas. Capaz! Homem comprometido não tem que ter amiguinhas porra nenhuma, não é mesmo? Cada vez que ele adicionar uma menina, você vai lá deleta e bloqueia. Namorado seu não pode ter amiguinhas, não! Aproveite e proíba ele de falar com toda e qualquer pessoa do sexo feminino entre 12 e 60 anos, que não seja a mãe ou a avó. Só por garantia, né?

PASSO QUATRO: Tenha MUITO ciúme. Mas muito mesmo! Está online e não está falando com você? Roda a baiana! Saiu do trabalho às 18 h e já são 18h10 e ele não chegou ainda? Onde está esse safado? Entrou no banho e demorou mais do que cinco minutos?? Está demorando no banho porque ta pensando em quem, heim? Ciúme exagerado fará ele correr de você rapidinho.

PASSO CINCO: Para arrematar e fazer o boy desaparecer de vez, o quinto passo é essencial. Pense comigo: uma vez que ele já pertence a você, você já controla as redes sociais dele e elimina as amiguinhas da vida dele, o que está faltando? Acabar de vez com essa graça de ter amigos, parças, trutas, essas coisas. Pode parar! Jogar bola com os amigos? Pra quê? Será que ele não está feliz em ficar só com você? Vídeo game no sábado à tarde? Jamais! Você quer que ele te leve ao shopping ou que vocês passem a tarde grudadinhos vendo tv. Andar de skate/ bicicleta/correr com os amigos? Ele não precisa fazer nada que não seja ao seu lado, não é? Então, garota, corte essa farra de ter amigos. Ele é só SEU, lembra?

Prontinho. Siga direitinho esses passos e garanto: seu boy vai sumir e não deixará rastro!

É minha gente...seria cômico se não fosse trágico. Todos esses passos criei observando atitudes de meninas/mulheres no FaceBook. Sim, acredite! Tem muita gente que age assim com o namorado/parceiro.  Agora, uma única dica, essa sim, verdadeira, de como ser feliz com ou sem boy:

DICA ÚNICA: Valorize-se! Não mendigue amor, não obrigue ninguém a isso ou aquilo. Tenha amor próprio. E lembre-se: as pessoas tem uma vida independente de você existir ou não na vida delas. Então, não tente acabar com isso com suas inseguranças. Seja mais você, sempre! Garanto que atrairá só gente do bem pra sua vida.

P.S.: fiz o texto para meninas que gostam de meninos, por ser o tipo de exemplo que eu mais vejo nas redes sociais e na vida. Mas, é só mudar o gênero da pessoa insegura ou do parceiro, que ele pode se encaixar a qualquer tipo de relacionamento amoroso.

Marcia

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sobre motivação: o que te dá tesão na vida?

"Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí  entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez..." Carlos Drummond de Andrade

Então, começo este texto com uma pergunta inspirada no pensamento de Drummond: quando você cansa, quando os doze meses te esgotam, te mastigam e te cospem fora, o que te motiva a continuar, a começar outra vez? O que te dá tesão de viver?

Janeiro de um novo ano, férias, tempo suficiente para observar e pensar sobre o que passou; planejar e desejar o que está por vir; indagar sobre escolhas feitas nos últimos 12 meses, ou 12 anos talvez. E me vi pensando sobre os motivos que me levam a fazer certas coisas, ou os motivos que me fazem desistir de outras. Mo-ti-va-ção. E, não falo aqui daquela motivação batida, cansada, de livros de autoajuda e palestras que prometem a felicidade eterna, não. Aqui, me refiro ao substantivo feminino motivação: ato ou efeito de motivar; conjunto de processos que dão ao comportamento uma intensidade, uma direção determinada. O que te dá uma direção determinada na vida?

Quando você precisa sair da cama em uma chuvosa segunda de manhã, o que te motiva? O que te faz ir até seu trabalho, ou escola, todo dia? O que te faz enfrentar o dia a dia, matar os leões que encontra e ainda ter forças para voltar para casa? O que te dá arrepios, frio na barriga? O que acelera seu coração e faz sua respiração ficar ofegante? O que te faz sorrir?

Para cada uma dessas perguntas, pode ser que você tenha um motivo diferente, ou até que várias perguntas tenham como resposta o mesmo motivo. Pode ser até que você não tenha motivos, ou não os reconheça, assim, de cara. Pode pensar a respeito, eu deixo ;) 

Para mim, uma única palavra responde a todas as perguntas desse texto: paixão! Apesar de entendermos que a paixão ofusca a razão, nada melhor do que estar apaixonado, ser apaixonado, viver apaixonado. Calma, isso não precisa ser aquela paixão avassaladora entre duas pessoas, não.( mas pode ser, sim, por que não?). Mas, se você consegue levantar da cama numa segunda chuvosa e ir trabalhar, precisa estar apaixonado pelo que faz (ou precisando muito trabalhar, mas aí é tema para outro texto).Enfrentar as batalhas escondidas no cotidiano? Ah, só com muita paixão! Sentir arrepios ou frio na barriga? Sintomas clássicos de paixão. Contudo, essa é só a opinião de uma apaixonada romântica incurável: eu.

As respostas para as perguntas feitas acima talvez sejam: necessidade, fome, obrigação, contratos, etc...? Sim, pode ser que sejam mesmo. Mas a mim, o que me dá tesão de viver é a paixão! Sou apaixonada por tantas coisas, tantas pessoas, tantos cheiros e tantos sabores. Isso me tira do chão, me faz ver passarinhos verdes, me motiva a fazer tudo outra vez, se possível melhor, se possível de um jeito diferente. E, nada melhor do que começar mais um ano pensando sobre essas paixões e o peso que elas exercem em minha vida, refletindo sobre a importância de cada paixãozinha na minha rotina diária. 

Te convido a pensar também: você consegue reconhecer quais paixões passam pelo seu dia? O que te deixa de cabeça para baixo e o que te tira do sério? Qual a importância desses sentimentos e qual o espaço que você dá a eles? 

E, se você não conseguiu achar seu tesão na vida ainda, calma. O ano está só começando...

Marcia


sábado, 27 de junho de 2015

Sobre ser fiscal de c* dos outros. E como isso te deixa retardado!

Eu já escrevi sobre o que penso à respeito do uso da religião para se sentir superior e humilhar os outros em outro post (aqui:http://sobretudoescrevo.blogspot.com.br/2014/07/sobre-uma-coisa-que-me-irrita-muito.html )

Hoje, resolvi escrever novamente. Pensei bastante antes disso e não ia me meter a escrever sobre o que vejo acontecer em minha timeline do Facebook. Mas, não aguentei a pressão, aquela voz que vive dentro de mim e não me deixa em paz! Ok, você venceu, voz. Vamos lá!

Desde ontem, quando foi anunciado a vitória do amor na Suprema Corte Americana, e agora, nos Estados Unidos, casais, independente de serem do mesmo sexo, podem se casar (vocês sabiam que no Brasil isso já é possível desde 2011?), as redes sociais, em especial o Facebook, vivem uma batalha, que há muito tempo vem se desenrolando: a batalha entre os que propagam o ódio e repúdio contra as diferentes formas de amar e os que apoiam qualquer e toda forma de amor. É triste de se ver. Lamentável, eu diria, e tenho meus motivos para pensar assim.

Como todos sabem, sou católica, creio em Deus, Jesus e Maria. Sou devota à Santo Antônio, casei na igreja e pretendo batizar meus filhos nela também. No entanto, isso não faz de mim uma juíza da vida alheia, uma mulher perfeita que pode dizer o que é certo ou errado, em nome de Deus. Jamais! Na verdade, sou bem crítica à tudo o que diz respeito a religião, inclusive sobre a minha. Gosto de ler e aprender sobre religiões no geral, e pensar sobre o que vejo, tentar entender. Mas, julgar os outros baseando-me no que EU acredito, nunca! Obrigar fulano ou sicrano a acreditar no que eu acredito, e se comportar como eu acho que deveriam se comportar, é desrespeitoso, no mínimo!

Na verdade, eu gostaria de entender o que incomoda tanto numa união entre pessoas do mesmo sexo. O que é que incomoda?? Sabe, eu sou hétero casada com outro hétero. No que a aprovação do casamento igualitário vai mudar minha vida?Vai mudar sim, para melhor! Simplesmente porque gente feliz não incomoda, então, torço para que todos sejam muito felizes, possam andar de cabeça erguida, possam ser respeitados, chegar em casa e abraçar a pessoa amada, planejar futuro...essas coisas. E pensando nisso, cheguei a conclusão de que as pessoas que usam uma rede social para propagar o ódio, só podem ser infelizes! Sem chance de ser outra coisa. É mais ou menos assim: "já que não sou feliz, ninguém mais vai ser". Sabe?

Gente, desde que o mundo é mundo existem héteros, homo, bi, trans etc...aceitem, que dói menos! Héteros serão sempre héteros, então, a "família tradicional" continuará existindo, relax! O que acontece na casa do vizinho não deveria te incomodar, sabia? 

E, para fechar, tem uma pessoa em especial na minha timeline, que já foi devidamente unfollowed, diga-se de passagem, que adora ser fiscal do cu dos outros. Pois bem. Ela se esqueceu da própria história, eu acho, porque a "família tradicional" que ela constituiu hoje veio de uma traição. Ela era casada, o atual marido dela também era casado com outra, e cheio de filhos. Mesmo assim, os dois traíram seus cônjuges para formar sua "família perfeitinha". Parabéns! É assim mesmo que se faz! E, calma, não estou julgando, mesmo porque cada um sabe de si, mas o que leva uma pessoa achar que um "pecado" é mais leve que o outro? Se ela acha que ser homo é pecado, o que será que ela acha da traição? Normal, desde que seja entre um homem e uma mulher?? Ah, faça-me o favor! Isso me irrita muito! Isso se chama: hipocrisia! 

Pois bem, viva sua vida e respeite a dos os outros. É só isso. É simples assim. Reze, ore, dê passes, invoque espíritos, leia a Bíblia, faça despachos, converse com seu anjo da guarda,acenda velas para seus santos de devoção, ou, não acredite em nada! Mas, não se ache melhor ou superior que alguém, por nenhum motivo. Não, sua pele não é mais bonita. Não, seu nível social não é superior.Não, seu cabelo não é mais aceitável. E, não, seu gênero ou condição sexual não é o "correto".

Extremismo sempre acabou mal.Reflita!
Mais amor, por favor!

Marcia