segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Sobre o Miss Universo 2017

"-Miss Universo? Ainda passa isso na TV? Nossa, me sinto em 1960!"

Sim, estamos em 2017 e, sim, ainda paramos para ver concurso de beleza (?) na TV. Eu assisti. Meus amigos assistiram. O mundo assistiu. Mas, não seria essa uma questão para refletir, sendo que durante todo o ano de 2016, e anteriores, discutimos padrões, esteriótipos, preconceito, etc...? Quantas mulheres reais se sentiram representadas na noite de ontem? Acho válidas as considerações a seguir:

"Que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental" - Vinicius de Moraes.
Nunca esteve tão errado, nosso poetinha. Em um concurso de miss é que percebemos como a beleza é subjetiva. Aqui em casa, por exemplo, eu torcia para: Brasil, Quênia, Venezuela, Canadá, Colômbia e França. Meu marido achou a Tailandesa e a Colombiana lindas. Houve um ano em que a Japonesa ganhou. Esse ano, ela não ficou entre as 13 mais belas. Nossa brasileira, Raissa, lindíssima! Elegante, sorridente, inteligente. Não ficou entre as nove e ficamos frustrados!

"Não aos padrões de beleza!"
Bem, esse é um tópico delicado. Sou totalmente a favor da frase acima, de se aceitar como você é, de não colocar sua felicidade em uma balança. Mas, esse tipo de concurso apenas corrobora com a ideia de beleza padrão, magra, alta, sorriso perfeito, traços delicados, andar de passarela. Eu não sou nada disso. Você é? Mas, sou muito feliz. Você é? Só que, mesmo em situações como essa, vemos pessoas esbravejando na rede, contra essa ou aquela, por conta de sua aparência física! Mais ainda, pessoas engajadas, que lutam contra preconceitos, destilando preconceito. A que mais sofreu foi a Miss Canadá. Gorda? Oi? Com certeza não, pois não estaria participando caso não se encaixasse nas medidas obrigatórias. E se fosse? Não pode porquê? Não é isso que lutamos para desconstruir? Para se pensar...

"Juiz filha da p*ta!!! Foi pênalti sim!!!"
Assistindo ao Miss Universo e acompanhando as redes sociais ao mesmo tempo, me senti em uma partida de futebol. Das mais escrotas. Se meu time não ganha, então, que se foda os outros. Só meu time é bom o suficiente, Os outros times estão roubando. Nossa! Será que é tão difícil, ainda, aceitar a derrota? A brasileira é linda, sim, mas outras belezas também estavam ali. Meu marido me perguntou como eles julgam e eu, sem saber responder, comecei a pensar nos critérios. Óbvio que não é só a beleza e simpatia. Li em algumas postagens que à brasileira faltou a fluência no inglês. Não acho que isso seria critério para eliminar, visto que são moças do mundo todo, e muitas fazem uso do intérprete. Por outro lado, ter a fluência no inglês deveria ser tão importante quanto saber desfilar, cuidar da pele, do cabelo. Ou seja, um conjunto que funcionaria direitinho. 

Por fim, sempre há espaço para discussão em programas como esse. Os comentários do pessoal que apresentava aqui do Brasil mesmo, dariam outra postagem, ainda maior que essa. Cheios de preconceito mesmo. Mas, daí eu ia até meu FB e via mais preconceito ainda. Poxa! Fica difícil. 

Melhorem, Apenas, melhorem. E, se eu pudesse votar, pediria mudanças em concursos como esse. Não somos todas de 1,80, magras, cabelos lisos, pele perfeita, corpo longilíneo e cintura 60. E sim, a beleza é subjetiva. Hoje, mais do que nunca!

Marcia


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