Muitas pessoas preferem evitar esse assunto ou acham macabro falar sobre a morte. Outras, pensam que falar demais sobre a morte pode atraí-la. Eu também não sou fã do assunto, apesar de ser uma coisa que mexe comigo de várias maneiras.Hoje fui a um velório e pensar sobre a morte, e tudo ao seu redor, foi inevitável.
Sentada lá, olhando para o caixão aberto, as coroas de flores (lindas, por sinal!), as pessoas e seus semblantes de luto, me vi absorta em memórias da minha vida. Pensei em meus entes queridos, em meu marido, em meus amigos do coração e, mais profundamente, em como, de uma hora para outra, tudo o que vivo pode acabar. Por um momento, me vi deitada naquele caixão de mogno, com alças cromadas, e pensei em todas as pessoas que passariam por ali, me olhariam, talvez tocariam minhas mãos ou meu rosto. Todas carregando seu semblante de luto. Impossível não pensar no dia em que eu estarei velando quem me é caro, e me entristecer com a ideia. A morte é nossa única certeza, e a coisa mais difícil é aceitá-la.
Comecei, então, a notar as pessoas: muitas choravam baixinho, outras, em silêncio, tinham o olhar parado, melancólico. Tenho certeza de que muitas estavam revendo suas vidas também, e tendo os mesmos pensamentos que eu. Ouvi alguém dizer: "ai, não gosto de velório, não deveria ter vindo" e me perguntei: alguém gosta de velório? Tirando alguma personagem louca de telenovelas, a maioria das pessoas realmente não se sente bem em velórios, e os motivos podem ser os mais diferentes possíveis. Mas existe uma coisa chamada amizade e outra chamada respeito. E quando uma pessoa amiga, de sua convivência, perde um parente, para mim, é uma questão de amizade e respeito ir ao velório e dar um abraço afetuoso, olhar nos olhos da pessoa e dizer: estou aqui, conte comigo nesse momento difícil. É óbvio que não é por hobby fazemos isso. Mas faz parte da boa convivência, do ajudar a quem precisa. Conheço pessoas que nunca vão e fico imaginando-as sozinhas quando precisarem velar alguém. Você não precisa passar a noite (mas pode, se quiser), basta oferecer-se a quem sofre, de coração.
Sim, esse doloroso momento é inevitável e todos passaremos por ele um dia. E por mais óbvio que isso pareça, nunca estaremos preparados. Sempre será sofrido, deixará marcas, nos fará mal por algum tempo. Para citar meu amado pai novamente, ele sempre diz: "para morrer, basta estar vivo". Parece bobo, mas refletir sobre isso pode nos ajudar a melhorar nossas condutas, em todos os aspectos de nossa vida. Ter a certeza de que o amanhã pode não chegar, pode, de alguma maneira, mostrar-nos que precisamos do agora. É hoje que temos que pedir desculpas, é agora que devemos ser mais humildes, é para já que temos que dizer eu te amo. Não amanhã, nunca depois. Ser menos arrogante, não guardar rancor, perdoar, ajudar mais, sorrir mais, não perder mais nenhuma chance. Tudo isso passou pela minha cabeça hoje, sentada naquela sala fúnebre.
E, então, pergunto: porque precisamos de momentos como o de hoje para refletir, para resolver? O que é a morte para você? Ela mexe com você? De que maneira? Você vai esperar até estar velando alguém para decidir viver? Pode ser tarde demais...o velado pode ser você!
Marcia
Sempre me pegunto " Se eu morresse hoje, estaria bem com todos ao meu redor? Já fiz tudo o que gostaria de fazer nessa vida?". Meu medo não é de morrer, mas sim de COMO irei morrer. Acho que o medo maior das pessoas é o da dor e do sofrimento antes da passagem.
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